Existe um tipo de produto que as pessoas querem antes de precisar. Não é o item mais barato nem o mais útil. É o que parece feito para um momento especial.
Foi esse tipo de sentimento que a Nespresso despertou com a parceria com a Swarovski, a joalheria austríaca conhecida pelos cristais. Ao procurar a coleção no site da Nespresso nesta semana, quase todos os itens aparecem como esgotados.
Hoje vou te mostrar o que essa parceria ensina para qualquer marca, mesmo para quem não vende café nem cristal.
Bora?
O que está disponível hoje
Na listagem do site da Nespresso, a coleção Nespresso x Swarovski aparece com cinco produtos:
→ Duas decorações de cristal festivas, em formato de cápsula
→ Uma xícara para café expresso Pixie, em verde
→ Um suporte para caneca de viagem
→ Uma caneca de viagem
Todos aparecem como produto esgotado. Os itens são decorativos e de acessórios, e o café não aparece na listagem. A coleção foi anunciada como uma parceria de fim de ano, e segundo o Meio&Mensagem ela inclui cafés e outros produtos, mas o que está visível agora é essa lista.
Isso já diz muito sobre o tipo de item que mais despertou interesse.
Por que a parceria faz sentido
Em entrevista ao Meio&Mensagem, a gerente sênior de branding e ESG da Nespresso Brasil, Marina Gargiulo, explicou que a parceria nasce de afinidades entre as marcas. Ela citou a excelência artesanal e a capacidade de despertar encantamento da Swarovski, atributos que, segundo ela, se conectam ao compromisso da Nespresso com qualidade, design e experiências com café.
A lição aqui é simples: collab boa começa com valores compatíveis, não com popularidade.
Se as marcas não se conversam em propósito, o público percebe. A pessoa compra a peça, mas não sente que a união faz sentido.
Lição 1: o produto precisa ter um motivo para existir
As peças da coleção não são pensadas só para o dia a dia. Elas são decoração, acessórios e itens de presente. A Nespresso aproveitou um momento específico do ano, quando as pessoas buscam algo diferente para dar e para receber.
Antes de fazer uma parceria, vale perguntar:
→ Qual momento do cliente essa collab resolve?
→ O que ele vai sentir ao usar ou ganhar o produto?
→ A união cria algo que nenhuma das marcas faria sozinha?
Se a resposta for “a gente só quer aparecer junto”, ainda não é hora de fazer.
Lição 2: embalagem e design também vendem
A coleção usa o verde característico da Swarovski, com o símbolo do cisne aparecendo nas peças. Isso faz diferença, porque em uma collab o público decide pelo olhar antes de testar o produto.
Se você vende algo físico, pense na embalagem e no design como parte da experiência, e não só como proteção ou identificação.
Lição 3: escassez chama atenção, mas precisa de controle
Quando um produto aparece como esgotado logo no início, a percepção de valor cresce. Só que essa escassez funciona melhor quando a marca tem controle sobre a quantidade e comunica bem o que está acontecendo.
Não sabemos, de fora, se a Nespresso planejou uma edição com estoque limitado ou se a demanda superou a expectativa. O que dá para afirmar é que o site mostra os itens esgotados nesta semana.
Para a sua marca, a lição é: escassez sem informação gera frustração. Escassez com datas, quantidades e avisos de reposição gera expectativa.
Lição 4: o item de uso diário vira ritual
Caneca de viagem e suporte são produtos que a pessoa usa todos os dias. Ao escolher esses itens, a marca entra na rotina de quem compra, e não só no momento da compra.
Pense no que a sua marca pode transformar em hábito. Pode ser um produto que acompanha o cliente, um conteúdo que ele espera toda semana ou uma assinatura que faz parte da rotina.
Como aplicar isso no seu negócio
Você não precisa de uma parceria com a Swarovski para usar essa lógica. Algumas ideias práticas:
→ Faça collab com quem seu cliente já admira, mesmo que seja um negócio local. Uma padaria pode fazer um produto com uma cafeteria da região.
→ Use datas do calendário, como fim de ano, Dia das Mães ou volta às aulas, para criar edições especiais.
→ Pense no design como parte da história da marca, e não só como estética.
→ Comunique a disponibilidade com clareza: quando abre, quando acaba e quando volta.
Lições finais
1. Collab boa nasce de valores compatíveis, não de popularidade.
2. O produto precisa ter um motivo claro para existir no momento da compra.
3. Design e embalagem fazem parte da experiência.
4. Escassez chama atenção, mas precisa de informação para não virar frustração.
5. Itens de uso diário criam presença recorrente na rotina do cliente.
A Nespresso mostrou que uma collab pode criar desejo antes mesmo de virar conversa comum. Quando o produto esgota, a pergunta deixa de ser “vale a pena?” e passa a ser “vou conseguir?”.
Para a sua marca, a pergunta é outra: o que o seu cliente sente quando quer muito o que você vende?
Se a resposta for algo que ele procura com vontade, você já tem uma base para uma boa collab.
Belle Martins
CEO Eureka Digital • Professora Marketing – Centro Paula Souza ETEC

