Páscoa 2026: R$ 3,57 bilhões movimentados.
106,8 milhões de consumidores comprando chocolate.
E no meio desse mar de ovos e coelhos, algumas campanhas se destacaram enquanto outras se perderam no genérico.
Nesse sentido, o que separa campanha que viraliza de campanha que passa batido?
Hoje vou dissecar 5 cases de Páscoa 2026 que bombaram – desde gigantes como Hershey’s e Cacau Show até pequenos confeiteiros que viralizaram no TikTok com orçamento zero.
Além disso, vou extrair lições estratégicas que você pode aplicar na próxima campanha sazonal (Dia das Mães tá logo ali, hein?).
Porque no final, viralizar não é sorte. É estratégia + execução + timing.
Bora?
O contexto: Páscoa 2026 em números
Antes dos cases, vamos entender o cenário:
Mercado aquecido:
- R$ 3,57 bilhões em vendas (crescimento de 2,5% vs 2025)
- 106,8 milhões de consumidores
- Maior Páscoa da história (desde 2005)
Comportamento do consumidor:
- 61% são influenciados por redes sociais na escolha (TikTok e Instagram)
- 59% ignoram preço quando o presente é pra alguém especial
- 41% fazem ajustes financeiros pra comprar chocolate
Tendências de produto:
- Ovos virais (coxinha, cuscuz, bolo de pote)
- Sabores “instagramáveis” (pistache, matchá, Biscoff, Dubai)
- Licenciamentos nostálgicos (Ursinhos Carinhosos, Snoopy)
Portanto, mercado gigante + consumidor conectado + redes sociais influenciando = oportunidade estratégica.
Case 1: Hershey’s e a Capibarra (a campanha mais disruptiva de 2026)
O que fizeram:
Hershey’s trocou o coelho da Páscoa por uma capivara.
Batizaram de Capibarra e fizeram dela a “mascote oficial” da Páscoa.
Estratégia de lançamento:
- LinkedIn como palco (inusitado!)
- Postaram vaga no LinkedIn: “Mascote de Páscoa – #OpenToWork”
- Capibarra “candidatou-se” à vaga
- Interagiu com público durante “processo seletivo”
- Foi “contratada” publicamente
- Narrativa de onboarding corporativo
- Capibarra passou por “integração”
- Ganhou perfil próprio nas redes
- Virou “funcionária” oficial da marca
- Campanha 360º
- Filme mostrando Capibarra transformando ovo em barras
- OOH (outdoor)
- Envelopamento de trens, VLTs, ônibus (SP, RJ, Porto Alegre, Curitiba, Recife)
- Escape room temático no Parque Villa-Lobos (SP)
Por que funcionou:
Ousadia com propósito:
Nesse sentido, trocar símbolo da Páscoa (coelho) por capivara não foi aleatório. Foi estratégico.
Motivo 1: Contexto cultural
Capivara = ícone brasileiro. Viraliza em meme, é querida, representa convivência pacífica.
Além disso, coelho = genérico, importado, sem conexão emocional com Brasil.
Motivo 2: Produto
Hershey’s vende barras, não ovos.
Coelho = associado a ovo. Capibarra = associada a “dividir, compartilhar” (andam em bando).
Portanto, mascote reforça mensagem: barras pra compartilhar > ovo individual.
Motivo 3: Canal inesperado
LinkedIn = rede profissional. Campanha de Páscoa = normalmente Instagram/TikTok.
Nesse sentido, usar LinkedIn gerou contraste criativo = memorabilidade + viralização orgânica.
Motivo 4: Narrativa participativa
Público acompanhou “candidatura” da Capibarra. Sentiu-se parte da campanha.
Consequentemente, engajamento orgânico alto sem gastar em ads.
Números:
Campanha descrita como “mais disruptiva da temporada 2026” pela mídia especializada.
Lição estratégica:
Ousadia funciona SE:
- Tem propósito claro (reposicionar produto de ovo pra barra)
- Conecta com cultura local (capivara = Brasil)
- Usa canal inesperado (LinkedIn) pra gerar contraste
- Envolve audiência na narrativa
Portanto, não é “ser diferente por ser”. É ser diferente com razão.
Case 2: Cacau Show e o Coelho Chef (storytelling que funciona)
O que fizeram:
Cacau Show trouxe de volta o Coelho Chef pelo segundo ano.
Estratégia:
- Personagem próprio consistente
- Coelho Chef = símbolo de criatividade e cuidado
- “Guardião da Páscoa”
- Laboratório mágico onde cria os produtos
- Portfólio gigante e diversificado
- 75 produtos, 46 lançamentos
- Licenciamentos nostálgicos (Ursinhos Carinhosos, Snoopy, One Piece, Batman)
- Sabores virais (pistache, Dubai, speculoos, mil-folhas)
- Faixa de preço ampla (R$ 9,99 a produtos premium)
- Investimento robusto
- 20% a mais em mídia vs 2025
- TV, streaming, OOH, digital, rádio, cinemas
- Estratégia modular (filmes diferentes ao longo da campanha)
- Experiência além do chocolate
- Pelúcia do Coelho Chef (R$ 49,99)
- Itens colecionáveis
- Produtos que viram brinquedo
Por que funcionou:
Consistência de marca:
Coelho Chef voltou pelo segundo ano. Nesse sentido, não é personagem descartável. É ativo de marca.
Portanto, consumidor já conhece, já tem afeto, já espera.
Portfólio inteligente:
Não é “um ovo pra todos”. São 75 opções pra diferentes bolsos, idades, ocasiões.
Além disso, licenciamentos pegam nostalgia (Ursinhos Carinhosos = anos 80/90) + cultura pop atual (One Piece, Batman).
Storytelling funcional:
Coelho Chef não é só mascote fofo. Ele justifica a variedade:
“Laboratório mágico onde cria os produtos” = narrativa que explica por que tantas opções.
Consequentemente, portfólio gigante vira vantagem, não confusão.
Estratégia modular:
Filmes diferentes ao longo da campanha = mantém relevância durante todo o período.
Nesse sentido, não é “uma tacada só”. É presença contínua adaptada ao momento.
Números:
- Expectativa: crescimento de 13%
- Produção: +25 milhões de unidades
- Investimento: 20% maior que 2025
Lição estratégica:
Personagem de marca funciona SE:
- É consistente (volta todo ano, vira tradição)
- Tem propósito funcional (justifica estratégia de produto)
- Conecta com nostalgia + cultura atual
- Sustenta narrativa ao longo do tempo (estratégia modular)
Portanto, não cria personagem “pra essa Páscoa”. Cria personagem pra ficar.
Case 3: Ovos virais de pequenos confeiteiros (TikTok + criatividade = alcance orgânico)
O que fizeram:
Pequenos confeiteiros viralizaram com ovos inusitados:
- Padaria Panetteria ZN
- 1,7 milhão de visualizações no Instagram
- Massa crocante + recheio farto
- Thacy Arretada
- 770 mil visualizações
- Recheado com catupiry e carne seca, decorado com vinagrete
- Taay Magno
- Bolo de coco em papel alumínio formato ovo
- 590 mil visualizações
- Apelo: nostalgia + frescor
- Samanta Santino
- Tradição pernambucana
- 200 mil visualizações
- Chef Pablo Figueiredo (TikTok)
- Sneakers: 760 mil views
- Kinder Bueno: 430 mil views
Por que funcionou:
Fator “nunca vi isso antes”:
Nesse sentido, ovo de coxinha/cuscuz/bolo de pote = inesperado.
Além disso, redes sociais premiam novidade. Algoritmo empurra conteúdo que gera “nossa, olha isso!”.
Regionalidade como diferencial:
Bolo de rolo (Pernambuco), cuscuz (Nordeste) = identidade regional vira vantagem competitiva.
Portanto, não compete com Cacau Show. Compete em autenticidade local.
Produção caseira = autenticidade:
Vídeos mostram processo. Mão na massa. Imperfeição charmosa.
Consequentemente, gera confiança (“é feito com cuidado, não é industrial”).
Orçamento zero, alcance milhões:
Nenhum desses confeiteiros pagou anúncio. Tudo orgânico.
Nesse sentido, criatividade + execução boa + timing certo = viralização gratuita.
Números:
- Coxovo: 1,7 mi de visualizações
- Ovo de cuscuz: 770 mil
- Ovo de bolo de pote: 590 mil
- Total: Milhões de impressões com R$ 0 de investimento
Lição estratégica:
Pequeno empreendedor viraliza SE:
- Oferece algo inesperado (não copia o óbvio)
- Usa identidade regional como diferencial
- Mostra processo (autenticidade > perfeição)
- Entende que redes sociais = vitrine grátis
Portanto, não precisa de budget gigante. Precisa de ideia diferente + execução decente + plataforma certa.
Case 4: Influência das redes sociais (61% dos consumidores decidem pelo que viraliza)
O que aconteceu:
Pesquisa CNDL/SPC Brasil revelou:
61% dos consumidores são influenciados por tendências de sabores/formatos que viralizam nas redes.
Sabores que viralizaram e viraram produtos:
- Pistache (onipresente em quase todas as marcas)
- Dubai (conceito de recheio cremoso + crocante)
- Matchá (tendência asiática)
- Biscoff (biscoito especiarias)
- Speculoos (variação Biscoff)
Formatos que viralizaram:
- Ovo em fatias (fácil dividir)
- Ovo de colher (praticidade)
- Ovo recheado estilo sobremesa (banoffee, pavlova, pão de mel)
Por que funcionou:
Ciclo viral:
- Confeiteiro pequeno testa sabor novo (ex: pistache)
- Viraliza no TikTok/Instagram
- Grandes marcas observam e incorporam ao portfólio
- Consumidor procura o que viu nas redes
- Marca que tem = vende
Prova social em escala:
Nesse sentido, quando milhões veem “ovo de pistache” viralizando, criam desejo.
Consequentemente, chegam na loja já sabendo o que querem.
Velocidade de adaptação:
Marcas ágeis (como Cacau Show, CAU Chocolates, PikurruchA’S) incorporaram tendências em tempo real.
Portanto, não esperaram “próximo ano”. Colocaram pistache/Dubai/matchá nesta Páscoa.
Lição estratégica:
Marca inteligente:
- Monitora redes sociais (o que tá viralizando?)
- Testa rápido (lança edição limitada do sabor viral)
- Escala o que funciona
- Comunica que tem o que tá em alta
Portanto, redes sociais não são só canal de divulgação. São laboratório de tendências em tempo real.
Case 5: Anti-case (campanhas genéricas que passaram batido)
O que NÃO funcionou:
Campanhas genéricas que todo mundo fez:
- Ovo ao leite tradicional sem diferencial
- Comunicação “Feliz Páscoa” genérica
- Desconto sem narrativa
- Produto igual do ano passado
Por que não funcionou:
Falta de diferenciação:
Nesse sentido, mercado com R$ 3,57 bilhões = saturado.
Se você não se destaca, some no mar de opções.
Consumidor mais exigente:
Pesquisa mostrou: 61% são influenciados por novidade nas redes.
Portanto, “mais do mesmo” = ignorado.
Exemplo real:
Marcas que só fizeram “ovo ao leite 2026” sem inovação não geraram buzz.
Enquanto isso:
- Hershey’s virou notícia com Capibarra
- Cacau Show investiu 20% a mais e cresceu
- Pequenos confeiteiros viralizaram com criatividade
Lição estratégica:
O que evitar:
- Genérico (todo mundo faz igual)
- Previsível (sem novidade)
- Só desconto (commodity, não marca)
- Ignorar redes sociais (onde 61% dos consumidores decidem)
Portanto, em mercado saturado, mediano = invisível.
Padrões comuns: o que todos os cases de sucesso têm
Analisando Hershey’s, Cacau Show, e confeiteiros virais, identifiquei 5 padrões:
Padrão 1: Diferenciação clara
Hershey’s: Capivara (não coelho) Cacau Show: Coelho Chef + 75 produtos Confeiteiros: Ovo de coxinha/cuscuz (não chocolate tradicional)
Nesse sentido, todos se destacaram fazendo diferente.
Padrão 2: Narrativa além do produto
Hershey’s: “Compartilhar barras” > “Ovo individual” Cacau Show: “Laboratório mágico do Coelho Chef” Confeiteiros:“Tradição regional em formato novo”
Portanto, não é “compre chocolate”. É “faça parte dessa história”.
Padrão 3: Uso inteligente de redes sociais
Hershey’s: LinkedIn (canal inesperado) + narrativa participativa Cacau Show: Estratégia modular (conteúdo ao longo da campanha) Confeiteiros: TikTok/Instagram orgânico (milhões de views)
Nesse sentido, todos entenderam: redes = amplificador gratuito (se feito certo).
Padrão 4: Conexão cultural/emocional
Hershey’s: Capivara = Brasil Cacau Show: Nostalgia (Ursinhos Carinhosos) + cultura pop (One Piece) Confeiteiros:Tradições regionais (bolo de rolo, cuscuz)
Portanto, não é produto genérico. É produto que ressoa com identidade/memória.
Padrão 5: Execução impecável
Hershey’s: Campanha 360º (LinkedIn + OOH + escape room) Cacau Show: 75 produtos + investimento 20% maiorConfeiteiros: Vídeos bem feitos (mostrando processo)
Nesse sentido, ideia boa + execução ruim = desperdício.
Mas ideia boa + execução boa = viralização.
Lições aplicáveis pra VOCÊ (próxima campanha sazonal)
Agora o que você tira desses cases:
Lição 1: Ouse com propósito (não por ousar)
Exemplo Hershey’s:
Trocar coelho por capivara fez sentido porque:
- Reforça produto (barras)
- Conecta com cultura (Brasil)
- Gera mídia espontânea
Ação prática pra você:
Antes de “ser ousado”, pergunta:
- Isso reforça meu posicionamento?
- Conecta com minha audiência?
- Tem propósito além de chamar atenção?
Portanto, ousadia estratégica > ousadia aleatória.
Lição 2: Construa ativos de longo prazo (não só campanhas pontuais)
Exemplo Cacau Show:
Coelho Chef voltou pelo segundo ano. Virando tradição.
Ação prática pra você:
Em vez de “campanha de Dia das Mães 2026”, pensa:
- Que personagem/conceito posso criar que volte todo ano?
- Como construo memória afetiva ao longo do tempo?
Portanto, pensa em anos, não em meses.
Lição 3: Criatividade > budget (quando bem executada)
Exemplo confeiteiros:
R$ 0 de investimento. Milhões de visualizações.
Ação prática pra você:
Pergunta:
- O que posso fazer que seja inesperado no meu nicho?
- Como mostro processo (autenticidade)?
- Qual plataforma (TikTok/Instagram/LinkedIn) faz mais sentido?
Portanto, não usa “não tenho budget” como desculpa. Usa criatividade como arma.
Lição 4: Monitore tendências em tempo real
Exemplo mercado:
Pistache virou tendência → marcas incorporaram nesta Páscoa.
Ação prática pra você:
- Acompanha o que tá viralizando no seu setor
- Testa rápido (edição limitada)
- Escala se funcionar
Portanto, agilidade > esperar “ano que vem”.
Lição 5: Redes sociais decidem compra (61% dos consumidores)
Exemplo geral:
Consumidor vê ovo viral no TikTok → procura na loja.
Ação prática pra você:
Investe em presença orgânica consistente:
- Mostra produto
- Mostra processo
- Mostra diferencial
Portanto, se você não tá nas redes, não existe pra 61% dos consumidores.
Lição 6: Diferenciação ou morte
Exemplo anti-case:
Marcas genéricas passaram batido.
Ação prática pra você:
Completa a frase: “Meu produto/campanha é diferente porque…”
Se resposta for “preço” ou “qualidade” (todo mundo diz isso), não é diferenciação.
Portanto, encontra algo único ou vira commodity.
Calendário: próximas datas sazonais pra aplicar essas lições
Páscoa acabou. Mas o ano tem muitas oportunidades:
Maio:
- Dia das Mães (10/maio): 4 semanas pra planejar
Junho:
- Dia dos Namorados (12/junho)
- Festa Junina (mês inteiro)
Agosto:
- Dia dos Pais (19/agosto)
Outubro:
- Dia das Crianças (12/outubro)
Novembro:
- Black Friday (28/novembro)
Dezembro:
- Natal (25/dezembro)
Portanto, 12 oportunidades de aplicar as lições de Páscoa 2026.
Lições finais: viralizar não é sorte, é estratégia
Deixa eu resumir o que conversamos:
1. Páscoa 2026 movimentou R$ 3,57 bi. 61% dos consumidores decidem por redes sociais.
2. Hershey’s trocou coelho por Capibarra (ousadia com propósito: reposicionar produto + conexão cultural).
3. Cacau Show trouxe Coelho Chef de volta (consistência de marca + portfólio inteligente + investimento robusto).
4. Pequenos confeiteiros viralizaram com criatividade (ovo de coxinha, cuscuz, bolo de pote = milhões de views com R$ 0).
5. Tendências das redes (pistache, Dubai, matchá) viraram produtos reais em tempo recorde.
6. Campanhas genéricas passaram batido (diferenciação ou morte).
7. Padrões de sucesso: Diferenciação, Narrativa, Redes sociais, Conexão cultural, Execução impecável.
8. Lições aplicáveis: Ouse com propósito, Construa ativos de longo prazo, Criatividade > budget, Monitore tendências, Redes decidem, Diferencie ou morra.
9. Próximas oportunidades: Dia das Mães (4 semanas), Namorados, Pais, Crianças, Black Friday, Natal.
10. Portanto: Viralizar = Estratégia + Execução + Timing.
Reflexão final
Você pode ter produto incrível.
Preço competitivo.
Qualidade impecável.
Mas se sua campanha for genérica, vai se perder no mar de 106,8 milhões de consumidores decidindo entre milhares de opções.
Nesse sentido, Hershey’s não viralizou por acaso. Viralizou porque ousou com propósito.
Cacau Show não cresceu 13% por sorte. Cresceu porque investiu estrategicamente.
Pequenos confeiteiros não explodiram por mágica. Explodiram porque criaram o inesperado.
Portanto, a pergunta que deixo:
Sua próxima campanha sazonal vai ser memorável ou vai ser mais uma?
Porque no final, consumidor tem milhões de opções.
Ele só vai escolher você se você der razão pra isso.
E razão não é “produto bom” (todo mundo diz isso).
Razão é história única, execução impecável, diferenciação clara.
Então me diz: Dia das Mães tá em 4 semanas. O que você vai fazer diferente?
A escolha (e a estratégia) são suas.
Quer aprender mais sobre campanhas que funcionam? Confira os outros posts no blog!
Na quarta tem mais conteúdo estratégico de branding!
Te vejo lá.
Belle Martins
CEO • Eureka


